RIO - Indignados com a violenta repressão do governo chinês ao Tibete - que já resultou na morte de mais de 140 tibetanos, desde o último dia 10, de acordo com exilados - um grupo de cariocas liderados pelo fotógrafo e documentarista Marcos Prado e pelo cantor Leoni protestou esta manhã, na Avenida Delfim Moreira, no Leblon, na altura do Hotel Marina Palace. Eles estenderam no chão uma faixa de 15 metros de extensão por cinco de largura, que dizia "O Tibete pode ser salvo". Segurando bandeiras do país e empunhando cartazes com dizeres como "Abaixo o genocídio cultural", "China, que país é esse?", o grupo distribuiu panfletos e tarjas pretas a dezenas de pessoas que passavam pelo local.
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- A China é um dos países que mais polui no mundo hoje, contribuindo para o aquecimento global, além de utilizar trabalho escravo e promover execuções de dissidentes. É incrível como a maior parte dos governantes não se manifesta quanto a isso - disse Marcos Prado, que esteve pela primeira vez em Lhasa, capital tibetana, em 1986, após a abertura das fronteiras para estrangeiros. - O poder econômico fala alto, mas não podemos sentar e cruzar os braços. Temos que fazer a diferença - acrescentou.
Prado afirmou que o governo brasileiro deveria se espelhar na iniciativa do presidente francês Nicolas Sarkozy e da chanceler alemã Angela Merkel e boicotar a abertura das Olimpíadas de Pequim.
De férias no Rio há duas semanas, a estudante britânica Rachel Merrie, de 21 anos, apoiou a manifestação e decidiu ajudar, distribuindo panfletos:
- Acho que a opinião pública tem o poder de pressionar os governantes. Muita gente não sabe do genocídio que está acontecendo no Tibete. Mas, se as pessoas se reunirem e disserem "isso é errado", há uma chance maior de as coisas mudarem.
Anexado pela República Popular da China em 1950, o Tibete pleiteia sua independência e liberdade religiosa. Organizações humanitárias estimam hoje que cerca de 1,2 milhão de tibetanos (um quinto da população) já tenham sido mortos em virtude de torturas, execuções e repressão a manifestações praticadas pelo governo chinês, além de inanição e suicídio.
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